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Ritmo de importação surpreende especialistas

Importações de produtos importantes no comércio exterior brasileiro mantêm um ritmo expressivo de alta nos primeiros dez dias do ano, segundo divulgou ontem o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Embora o período e o volume de operações sejam ainda muito pequenos para indicar tendências, chamaram a atenção de especialistas, que andam em busca de indícios sobre uma das maiores incógnitas econômicas do país este ano: o comportamento das importações, que vinham crescendo aceleradamente, mas enfrentarão, em 2009, quedas de preços e na demanda interna por mercadorias. 


Nas duas primeiras semanas de janeiro, com seis dias úteis, as importações superaram as exportações em US$ 12 milhões, um pequeno déficit atribuído pelo governo à compra de uma aeronave, no valor de US$ 150 milhões. Sem essa operação, a balança comercial teria registrado um superávit de US$ 138 milhões, nota a Secretaria de Comércio Exterior. Devido à compra, as importações de "aeronaves e peças" pularam de US$ 9 milhões diários em janeiro de 2008 para US$ 37,5 milhões diários nos primeiros dez dias do ano. Um aumento de 315%. Outros itens importantes também tiveram aumento expressivo. 


A importação de produtos siderúrgicos aumentou em quase 25% quando comparadas as médias diárias do início do ano (US$ 23 milhões) com as de janeiro de 2008. As compras de leite também aumentaram 115% e as de bebidas e álcool, 55%, mas, nesses itens, é muito pequena, ainda, a média de importações diárias, bem abaixo de US$ 2 milhões. As compras anuais de leite e derivados ultrapassam US$ 250 milhões. 


Os principais produtos de importação, equipamentos mecânicos e elétricos e eletrônicos, tiveram quedas nos valores médios, em relação ao ano passado. "A importação ainda é a grande dúvida de 2009", comenta um dos principais analistas do setor, o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, José Augusto de Castro, que diz ser muito cedo para previsões. Ele confessa ter sido surpreendido pela queda de 11,9% na média diária do total das importações neste início do ano. "Achei que vinha mais forte." 

Valor Econômico

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