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As respostas dos países em desenvolvimento à crise econômica mundial estão no centro de uma discussão intensa a ser travada pelo governo nos próximos dias. Com o desaquecimento e o aumento do protecionismo nos maiores mercados e a crescente demanda por produtos brasileiros nas economias emergentes, as reações à crise na China, América Latina e Europa Oriental terão um efeito nunca visto para as perspectivas do comércio exterior brasileiro.
A elevação das barreiras comerciais - coisa que os governos prometeram não fazer como resposta à crise - não é a única ameaça ao desempenho exportador do Brasil. O governo já detetou sinais de acirramento da competição asiática em mercados importantes para os exportadores brasileiros. E, segundo informam executivos do setor privado, há indícios de que grandes multinacionais, no setor automotivo, por exemplo, pretendem reduzir as vendas originadas no Brasil para evitar quedas maiores nas exportações de filiais na Europa e Estados Unidos.
Na América Latina, além do recrudescimento da crise, neste início de ano, os efeitos do encolhimento nos mercados externos pode trazer novos contenciosos entre o Brasil e seus sócios. No mesmo setor automotivo, a desvalorização do real e o esfriamento da demanda devem prejudicar a venda dos automóveis argentinos, trazendo problemas para as filiais das montadoras no país vizinho e azedando o acordo firmado no ano passado, que manteve ainda frouxas as regras de controle do comércio bilateral no setor.
Em janeiro, as diversas agências do governo encarregadas das relações comerciais, nos ministérios de Relações Exteriores, do Desenvolvimento, da Fazenda e da Agricultura pretendem estabelecer uma estratégia conjunta de "acesso a mercados", com medidas e prioridades para as exportações do país. Terão de decidir, por exemplo, o que fazer em relação a EUA e Europa, que perderam espaço entre os mercados das exportações brasileiras.
Os europeus hoje representam 23,4% das vendas do Brasil ao exterior, bem menos que os 25,2% de 2007. Com crescimento de medíocres 7,9%, os EUA, que absorviam quase 16% das exportações brasileiras em 2007, hoje absorvem 14%.
Jornal Valor Econômico
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