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Máquinas e eletrônicos, veículos, perfumaria e cosméticos e itens agrícolas são os produtos que mais devem sofrer aumento no Espírito Santo por causa da retaliação do Brasil aos Estados Unidos.
De acordo com o coordenador de estudos econômicos do Instituto Jones dos Santos Neves, Matheus Magalhães, a repercussão do aumento desde preços poderá afetar tanto o produto final quanto os consumidores da matéria-prima.
Segundo o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e de Turismo do Estado (Fecomércio-ES), José Lino Sepulcri, também serão atingidos produtos como algodão. Eletrodomésticos, mercadorias de borracha e em especial, a indústria têxtil.
O governo federal divulgou uma lista com 102 bens importados dos Estados Unidos que poderão ter aumento do Imposto de Importação por causa da retaliação comercial que a Organização Mundial do Comércio (OMC) autorizou o Brasil a aplicar.
Isso aconteceu porque os Estados Unidos ofereceram subsídios aos seus produtores de algodão.
Os americanos ainda podem apresentar uma nova proposta dentro dos próximos 30 dias para evitar um prejuízo que, segundo o Ministério do Desenvolvimento, deve ser de US$ 591 milhões.
O presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Lucas Izoton, acredita que o Estado não será afetado inicialmente com essa retaliação.
"Esses produtos que o Espírito Santo exporta são de extrema necessidade para os Estados Unidos", explicou Lucas Izoton.
Entenda o caso
Por que o Brasil retaliou os EUA?
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Os Estados Unidos deram subsídio aos seus agricultores de algodão, favorecendo os produtos locais.
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O Brasil recorreu à OMC solicitando retaliação, ou seja, aumentar o Imposto dobre Importação do trigo vindo dos Estados Unidos.
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A lista de produtos que podem ter aumento é de 102 itens.
"Ainda é cedo para saber o impacto que esta medida traz ao Estado"
Severiano Imperial, presidente do Sindiex
"Isso vai ter um impacto violento no mercado final se a retaliação for formal"
José Lino Sepulcri, presidente da Fecomércio
"EUA e Espírito Santo são parceiros. Empresários se dispõem a negociar"
Lucas Izoton, presidente da Federação Nacional das Indústrias do Estado (Findes)
O QUE O ESPÍRITO SANTO COMPRA DOS AMERICANOS
Os 18 produtos mais importados
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1º Combustíveis: 41,7%
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2º Caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos: 12,3%
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3º Máquinas e aparelhos e matérias elétricos: 10,7%
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4º Aeronaves e aparelhos espaciais e suas partes: 10,7%
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5º Plásticos e peças de plástico: 3,1%
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6º Veículos e material para vias férreas: 2,9%
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7º Produtos químicos: 2,1%
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8º Instrumentos e aparelhos de óptica: 1,8%
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9º Produtos para fotografia e cinematográfica: 1,6%
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10º Preparações alimentícias: 1,6%
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11º Veículos automotores: 1,4%
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12º Borracha: 1,2%
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13º Produtos de perfumaria: 1,0%
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14º Produtos de indústrias químicas: 0,9%
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15º Corantes e pigmentos: 0,7%
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16º Obras de ferro fundido: 0,7%
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17º Produtos hortícolas: 0,7%
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18º Adubos ou fertilizantes: 0,5%
Fonte: Victor Nunes Toscano, coordenador de comércio exterior e conjuntura da Rede de Estudos Macroeconômicos (Macro) - Instituto Jones dos Santos Neves
A LISTA DA RETALIAÇÃO
Perfumes e alimentos terão alta
Índice do aumento de preços
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Desodorante, perfumaria, cosméticos, maquiagem, cremes de beleza: 18%
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Leite em pó e soro de leite: 20%
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Nozes, uva secas, peras secas, cerejas secas e ameixas frescas: 20%
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Catchup e outros molhos de tomate: 20%
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Misturas de sucos, não fermentados: 20%
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Metanol: 10%
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Medicamentos: 8%
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Pneus novos para automóveis de passageiros: 8%
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Tecido de algodão: 74%
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Algodão simplesmente debulhado, não cardado nem penteado: 94%
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Congeladores: 20%
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Aparelhos eletrônicos: 20%
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Artigos e aparelhos para fraturas: 10%
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Veículos e peças: 15%
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Móveis de plásticos: 18%
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Forno e fogão: 20%
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Artefatos de joalheria, de outros materiais preciosos: 18%
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Calças de algodão masculina e feminina: 65%
Fonte: Câmara de Comércio Exterior (Camex)
ANÁLISE
"Brasil marca posição ao defender sua própria economia"
"O Brasil pediu à Organização Mundial de Comércio (OMC) por uma retaliação aos Estados Unidos por ter concedido subsídio aos seus agricultores.
Recebeu esta autorização e agora pode aumentar a taxa de imposto sobre vários produtos.
Isso significa que o Brasil marca uma posição de não aceitar estas mudanças de subsídio, ou seja, está buscando defender a sua própria economia.
Acredito que ainda seja muito cedo para pensar nas consequências que esta retaliação pode trazer para o País e para o nosso Estado.
Já não somos mais tão dependentes dos americanos. E além disso, existe a possibilidade de substituir o que é importado de lá, o que pode inclusive beneficiar a produção interna do País, nesse sentido.
Eu acredito que o governo federal vai buscar uma negociação com os Estados Unidos e com diplomacia um acordo poderá ser feito entre os dois países.
Não há preocupação a curto prazo para o Estado. Acredito que devemos esperar estes próximos 30 dias para ver se haverá algum acordo ou a retaliação contra os Estados Unidos vai mesmo acontecer".
Márcio Félix - secretário de Desenvolvimento do Espírito Santo
A Tribuna
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