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Os dias chuvosos e com neblina forte não serão mais empecilho para o pouso e decolagem de aeronaves no Aeroporto Eurico Salles, em Vitória. Com o novo procedimento (um diferente ângulo de descida e outra altitude que possibilita maior visibilidade) que será adotado pela Infraero, a partir de amanhã, de pouso pela cabeceira sul da pista, os aviões poderão pousar mesmo em condições meteorológicas desfavoráveis.
Com a mudança a cabeceira sul da pista (na direção dos Bairros Mata da Praia e Jardim da Penha) também poderá ser utilizada nos dias chuvosos e de forte neblina. Atualmente, em condições meteorológicas adversas, apenas a cabeceira norte da pista (na direção de Jardim Camburi e Serra) pode ser utilizada.
A mudança, que passará a ser adotada pela Infraero foi estabelecida pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Para a adoção do novo procedimento não houve a instalação de nenhum novo equipamento no terminal aeroportuário da Capital. De acordo com informações obtidas na tarde de ontem, a solicitação ao Decea foi feita pelo governo estadual.
O Decea fez os estudos necessários e determinou à Infraero a adoção do novo procedimento. A ponte entre o governo estadual e o Decea, que contribuiu para agilizar os estudos, teria sido um ex-funcionário da autarquia, com amplo conhecimento das limitações do Aeroporto da Capital, que hoje atua em uma companhia do setor privado.
De acordo com a Infraero, em dias com condições normais de navegação aérea os procedimentos continuarão os mesmos que os utilizados hoje. Ou seja, a utilização das duas cabeceiras da pista. Nos períodos de chuva e neblina o procedimento de pouso e decolagem, hoje feito somente na cabeceira norte poderá ser feito também na cabeceira sul.
Segundo a Infraero, hoje, em situação de chuva ou neblina, as aeronaves que chegam pelo lado sul, procedentes do Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo, precisam contornar todo o espaço aéreo (na direção da BR 101) para pousar na cabeceira norte. Nessa condição, há um acréscimo de cerca de dez minutos no voo, tempo considerado bastante significativo.
Conforme a assessoria da Infraero, nos dias de chuva é a direção e a intensidade dos ventos que poderão levar ao fechamento do aeroporto, como aconteceu no ano passado. A mudança do ângulo e da altitude possibilitará o pouso na cabeceira sul da pista, também em dias chuvosos. Só para lembrar, no ano passado, no período de 27 de outubro a 2 de novembro de 2009 foram cancelados 188 voos.
O principal motivo do cancelamento dos voos e do fechamento do aeroporto, segundo a Infraero foi a intensidade e a direção dos ventos. As chuvas e a neblina também contribuíram para a suspensão dos voos, mas o fator preponderante foi mesmo os ventos. Com o novo procedimento, o fechamento do aeroporto poderá ocorrer se os ventos forem muito intensos.
O principal benefício do novo procedimento, segundo a Infraero, "é maior fluidez na liberação do espaço aéreo e na utilização da pista", em condições meteorológicas adversas. Outro benefício apontado pela Infraero é o ganho que as empresas aéreas terão com a economia de combustível e a redução no tempo de operação.
Outra vantagem apontada pela Infraero é a melhoria das operações autorizadas pela torre de controle. Os novos procedimentos, segundo a empresa, possibilitarão mais segurança do tráfego aéreo nas operações de pouso e decolagem.
Cancelamentos 188 pousos Foram cancelados no Aeroporto de Vitória durante as chuvas que ocorreram em outubro e novembro do ano passado na Capital.
Entenda o caso Fechado Entre os dias 27 de outubro e 2 de novembro de 2009, o Aeroporto de Vitória permaneceu fechado para pousos e decolagens. No período, a Infraero computou o cancelamento de 188 voos.
Equipamento O fechamento do terminal por período tão longo fez com que o governo estadual fizesse nova solicitação à Infraero para instalar o ILS (Instrument Landing System), um sistema que facilita o pouso de aviões em condições climáticas ruins.
Pedido O primeiro pedido do governo foi feito em agosto de 2007. Na oportunidade, o governador Paulo Hartung encaminhou carta ao presidente Lula pedindo a instalação do equipamento no Aeroporto da Capital capixaba. Na época, o custo estimado do ILS era de US$ 2 milhões.
Polêmica O pedido do governo, entretanto, gerou polêmica e até hoje não foi atendido. Especialistas afirmaram que a instalação do equipamento no atual aeroporto não adiantaria, porque haveria a necessidade de ampliação da pista, para que pudesse funcionar em todo o potencial.
Expectativa A expectativa é que ILS venha a ser instalado nos próximos anos, quando forem concluídas as obras do projeto de modernização e ampliação do Aeroporto Eurico Salles. O projeto prevê a ampliação da atual pista e a construção de outra com maior extensão.
A Gazeta
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