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Lula nega guerra comercial; EUA falam em negociação

     A retaliação foi autorizada pela OMC (Organização Mundial do Comércio) em resposta à concessão de subsídios por parte do governo americano a produtores de algodão.

      "Não vamos entrar em uma guerra", disse Lula à agência Associated Press.

      Comitiva americana liderada pelo secretário de Comércio, Gary Locke, reuniu-se ontem com representantes do governo brasileiro para reforçar a mensagem de que o país quer negociar uma saída para evitar a retaliação.

      Mas uma contraproposta -que, segundo os representantes do EUA, precisa ser "justa para os dois lados"- só deverá ser apresentada oficialmente aos negociadores brasileiros em abril.

      Anteontem, o Brasil anunciou a lista com 102 produtos americanos que podem sofrer sobretaxação a partir de 7 de abril, mas as autoridades americanas apostam em um acordo antes dessa data.

      Após reunião com Locke, o ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento) disse que a visita do secretário não poderia trazer alternativa contra a retaliação porque o encarregado do tema no governo americano é o representante de Comércio, Ron Kirk.

      "Já temos um encontro marcado com Kirk."

      Ainda assim, afirmou, Locke marcou posição em relação à disputa na OMC na qual o governo brasileiro conquistou o direito de retaliar o parceiro comercial em até US$ 829 milhões neste ano, por causa de subsídios e garantias ilegais aos produtores de algodão.

      "O secretário disse que não interessa aos EUA entrarem numa guerra de comércio", afirmou Miguel Jorge, que ressaltou que o país espera uma proposta concreta. "A retaliação está sendo feita para compensar prejuízos. Então se compensa pagando, e não com apelos."

Folha de São Paulo

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