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Comércio mundial terá forte recuperação este ano, dizem entidades

     A Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), entidade dos países ricos, projeta retomada de 6% para as exportações e importações. O Bureau for Economic Policy Analysis (CPB), da Holanda, reputado pelo monitoramento do comércio mundial, é bem mais otimista e aponta expansão de 9% em volume.

      Para o Banco Mundial, as indicações são de recuperação em forma de V. A queda foi brutal e a retomada deve ser igualmente mais forte. Exportações da Europa do Leste e da Ásia Central mostravam crescimento robusto no segundo semestre do ano passado. Exportadores de recursos naturais como Cazaquistão, Ucrânia e Rússia lideraram as altas de vendas. Entre 51 países pesquisados, somente o Brasil, Argentina e Vietnã tiveram declínio nas exportações.

      O crescimento das importações foi mais forte no sudeste asiático, enquanto a América do Norte ficou para trás. A queda nas importações dos EUA foi marcante e afetou as vendas de países da América Latina e Caribe. Por sua vez, a China registrou alta de 55% nas importações em dezembro, comparado com dezembro do ano anterior, refletindo o vigor da demanda doméstica.

      A Organização Mundial do Comércio (OMC) somente em março apresentará suas primeiras projeções para 2010. O cenário econômico continua incerto, com a Europa, altamente dependente de exportações, registrando menor alta na produção industrial no último trimestre.

      Mas para o CPB, o instituto holandês, a alta de 9% do comércio internacional em 2010 "está praticamente encomendada, pelo que vimos no último trimestre de 2009", disse ao Valor o professor Gerard van Welzenis.

      Para o especialista, a volta à normalidade das cadeias globais de suprimento vai levar países dependentes de exportações, como Japão e Alemanha, a registrar vendas externas acima de 10%. "Praticamente todos os países vão recuperar as exportacoes, mostrando que a queda no comércio foi efeito da demanda."

      Estatísticas da OMC confirmam que a China superou a Alemanha como primeiro exportador mundial de mercadorias em 2009. A parte de Pequim nas exportações globais chegou a 10%, comparado a 3% em 1999, apoiada por mercadorias mais baratas, de baixo custo de produção e com o yuan fraco.

      O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a parte chinesa pode chegar a 17% em 2020, à medida que Pequim melhorar as características de seus produtos, passando de têxteis ou calçados para mercadorias com mais valor agregado, incluindo automóveis.

      Um dos riscos para o comércio mundial este ano é justamente a persistente expansão chinesa. Em 2009, a China foi o país mais visado por barreiras comerciais para bloquear entrada de seus produtos. As tensões políticas crescem nos EUA e na Europa, com os até então gigantes do comércio mundial acusando de novo Pequim de usar táticas que dariam uma vantagem desleal a suas exportações.

      Washington tem criticado planos de Pequim de dar vantagem, nos contratos governamentais, a empresas que fazem produtos inovadores, incluindo abatimento de impostos. Para o novo comissário designado de comércio da UE, o belga Karel de Gucth, a desvalorização da moeda chinesa é "um problema maior", resultado de uma política "deliberada" para dopar as exportações na Europa e nos EUA. Para o presidente francês, Nicolas Sarkozy, a atual "desordem monetária é inaceitável", referindo-se ao dólar e yuan desvalorizados, que torna as exportações americanas e chinesas mais competitivas que as da Europa.

Valor Econômico

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