sábado, 4 de setembro de 2010  
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Crescimento anual das exportações brasileiras deve cair 87% até 2030

     A despeito do crescimento recorde das exportações agrícolas brasileiras entre 1995 e 2005, a projeção para os próximos 20 anos é de um crescimento médio anual 87,2% menor. Nos dez anos que antecederam 2005, as exportações agroindustriais do País cresceram a uma taxa de 10,2% ao ano, segundo levantamento divulgado ontem pela Ernst & Young em parceria com a FGV Projetos - o maior crescimento anual do mundo, que colocou o Brasil como o quarto maior exportador agrícola.

      Até 2030, segundo o levantamento, as exportações brasileiras devem movimentar anualmente cerca de US$ 2,15 bilhões com aumento de 1,3% ano a ano. Fernando Garcia, coordenador técnico da pesquisa, da FGV Projetos, explica que essa queda se deve ao esgotamento das fronteiras agrícolas.

      Apesar das limitações ao crescimento em extensão de área de cultivo no Brasil, segundo Garcia, o investimento em tecnologia que possibilite o aumento da produtividade da terra sem o ônus do desmatamento é a "posição competitiva estratégica do País".

      Entre 1960 e 2005, segundo a pesquisa, a produtividade no País cresceu a uma taxa média de 2% ao ano - a maior do mundo no período. Em que pese este fato, segundo Garcia, os investimentos em tecnologia para o aumento da produtividade no Brasil ainda estão aquém do necessário para garantir uma agricultura sustentável. "A sustentabilidade está diretamente ligada à tecnologia voltada ao aumento da sustentabilidade", afirma. "A política tecnológica não avançou da mesma forma que política de crédito no País."

      Segundo ele, cabe ao Estado criar políticas de crédito não só para o custeio, mas para compra de máquinas e equipamentos.

      Celulose

      O segmento de celulose, dentro do mercado agrícola, foi a que mais investiu em pesquisa e desenvolvimento em 2005, segundo o estudo da Ernst & Young e FGV Projetos. Mais da metade das empresas do setor, ou seja, 52% delas, investiu em mudanças organizacionais, dispendendo 5,1% de seu faturamento em desenvolvimento de novas tecnologias.

      Fernando Garcia afirma que as empresas do setor devem crescer nos próximos 20 anos em novas regiões do País. Segundo ele, os Estados do Rio Grande do Sul, Maranhão e Piauí abrigarão o crescimento do setor. "Isso deve elevar a renda e a produtividade das terras dos estados mais pobres do nordeste", afirma. O Brasil é o quarto produtor de celulose do mundo, segundo a Associação Brasileira de Celulose e Papel.

DCI

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