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Durante visita ao Brasil, o representante de Comércio dos Estados Unidos, embaixador Ronald Kirk afirmou que tem como principal objetivo estreitar as relações comerciais com o País e resolver todas as questões que envolvem a retaliação ao algodão, aprovada pela OMC (Organização Mundial de Comércio) juntamente com o Ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim e o Ministro de Desenvolvimento, Miguel Jorge.
"Os Estados Unidos aguardam ansiosamente a decisão do governo brasileiro sobre a retaliação contra os subsídios ao algodão e esperam que o Brasil opte por não aplicar sanções contra produtos ou propriedade intelectual americanos", essa é a mensagem trazida pelo embaixador Kirk a empresários na Câmara Americana de Comércio (Amcham).
No fim de agosto, a OMC autorizou o País a retaliar os EUA em resposta aos subsídios ao algodão. A autorização permite a retaliação também no setor de patentes e serviços. Kirk espera que o Brasil chegue à conclusão de que a simples decisão da OMC já "cria um incentivo poderoso para nós retornarmos à mesa de negociações sobre este assunto".
O embaixador ainda alfinetou o governo brasileiro em seu discurso quando falou sobre a quebra de patentes de medicamentos como forma de retaliação, induzindo ao pensamento de que os brasileiros devem se empenhar mais e assim conseguir por si próprios suas patentes e propriedades intelectuais. "O Brasil é o berço de mentes mais criativas, porém, pode não estar colhendo os frutos dessa criatividade, uma vez que é responsável por apenas 2% das publicações científicas mundiais e recebe apenas 0,2% das patentes de medicamentos."
Ele afirmou que os EUA querem um relacionamento bilateral com o Brasil "mais definido e focado". Mas não deu sinais positivos em áreas importantes para o País, como impostos "ambientais" e salvaguardas.
Com relação a imposição de 35% na tarifa dos Estado Unidos sobre pneus da China, o embaixador disse que o seu governo não é a favor de protecionismo e age contra ele. Em contrapartida, a China ameaça taxar autopeças e frango dos norte-americanos.
"Os EUA deixaram claro que cumprimos nossas promessas do G-20 e G-8 e não adotamos medidas protecionistas", declarou.
"Quando a China entrou na OMC, a possibilidade de usar salvaguardas foi incluída a pedido de vários países, pelo medo da habilidade da China de inundar mercados com produtos. Era uma ação corretiva, e a China concordou. E nesse caso, acho que parte da indústria brasileira ficou bastante satisfeita com o resultado, uma vez que o Brasil poderá vender mais pneus para o mercado norte-americano", declarou Ronald Kirk.
O representante ainda afirmou que esta pode ser uma moeda de troca durante as discussões sobre a retaliação ao algodão.
Para o professor de Comércio Exterior do Mackenzie, Francisco Américo Cassano, os Estados Unidos devem resolver os problemas deles com a China primeiro e não utilizar esse impasse como meio de negociar com o Brasil.
"Os norte-americanos precisam seguir melhor as regras do comércio internacional e encararem as decisões dos órgãos que o gerem e desta forma procurem soluções mais definitivas. O governo de Barack Obama não pode querer compensar a questão do algodão com a questão dos pneus chineses", frisou o professor.
De acordo com Kirk os Estados Unidos sempre viram o brasil como um parceiro valioso, e necessitam neste momento uma ampliação no comércio bilateral. "Devemos expandir nossos laços, passando a incluir mais comércio, fluxo de capital, investimentos, além de inserirmos uma ampla gama de atividades conjuntas em setores como educação, saúde, ciências e afins", ponderou.
Dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic) indicam que o saldo comercial entre os países tem retraído nos últimos anos, ao passar de US$ 6.664 bilhões de janeiro até agosto em 2006 para déficit de US$ 3.023 bilhões no mesmo período analisado em 2009. Enquanto a corrente de comércio caiu de US$ 25.122 bilhões em 2006 para US$ 22.915 bilhões em 2009, na análise dos oito primeiros meses do ano.
Em visita ao Brasil ontem, o representante de Comércio dos Estados Unidos, embaixador Ronald Kirk, antecipou o tom das negociações durante encontro de hoje em Brasília com os ministros Celso Amorim e Miguel Jorge. Kirk afirmou que os Estados Unidos podem importar mais pneus do Brasil, depois da taxação de 35% sobre os produtos chineses. Mas o embaixador também alfinetou o governo brasileiro sobre a possível quebra de patentes: "O Brasil é o berço de mentes mais criativas, mas pode não estar colhendo os frutos dessa criatividade, pois é responsável por apenas 2% das publicações científicas mundiais e recebe apenas 0,2% das patentes de medicamentos."
DCI
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