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02/12/2019
Obras vão ampliar movimentação de cargas no Porto de Vitória



Obras vão ampliar movimentação de cargas no Porto de Vitória

A Companhia Docas do Espírito Santo, a Codesa, assinou contrato com a Fator Engenharia, empresa vencedora da licitação que será responsável pelas obras de sinalização náutica na Baía de Vitória.

Num primeiro momento, essa formalização entre as partes pode até parecer só mais um trâmite burocrático, mas o início dos trabalhos dessa empresa representa um importante passo para finalmente o Porto de Vitória concluir o processo de dragagem, que há décadas se arrasta e consome dinheiro do contribuinte.

Ao longo de 20 anos já foram gastos pelo governo federal mais de R$ 120 milhões nesse projeto, que prevê aumentar a profundidade da baía e permitir a movimentação de navios com maior calado, aumentando dessa forma a movimentação de cargas nos terminais capixabas.

Vale ressaltar que a dragagem e a derrocagem em si já foram concluídas, mas elas ainda não trouxeram resultados efetivos para o porto, uma vez que é preciso ter a iluminação náutica para serem feitos alguns testes e, então, acontecer a avaliação de órgãos, como a Marinha.

A previsão é que as obras relacionadas à sinalização, que representam um investimento da ordem de R$ 1 milhão, sejam iniciadas na próxima semana. O diretor de Operações e Infraestrutura da Codesa, João Augusto Da Cunhalima, explica que essa fase com a instalação dos chamados faróis de alinhamento delta está prevista para acontecer até março de 2020.

Passado esse período, vão ser iniciados testes de manobras das embarcações, sendo necessárias 10 de entrada e 10 de saída na Baía de Vitória. A expectativa é que essa etapa dure aproximadamente cinco meses, permitindo que até o final de 2020 o porto seja capaz de intensificar a sua movimentação de cargas.

O diretor-presidente da Codesa, Júlio Castiglioni, esclarece que sendo aprovadas as manobras pela Marinha e pela praticagem, a companhia concluirá o processo.

Não muda o tamanho dos navios, mas os mesmos navios que aportam em Vitória hoje poderão vir e sair mais carregados. Apenas em contêineres (café, granito em chapa, produtos de alto valor agregado etc) estima-se um aumento de 15% da capacidade de movimentação do porto. E carga geral (granito em bloco, veículos, máquinas e equipamentos para indústria) estima-se um aumento de 35% de capacidade de movimentação. É relevante.
 
Cunhalima reforça que alcançar esse resultado é uma prioridade da atual gestão. “Esse é um assunto antigo e que envolve muito dinheiro público. Precisamos dar um retorno à sociedade. Eu, como diretor de operações, diria que é a ação mais importante que pretendo entregar”, frisa ao citar que o objetivo é aumentar o atual calado, de 10,67 metros, para 12,5 metros.

Sem dúvidas essa é uma das iniciativas mais esperadas pela sociedade capixaba em termos de infraestrutura. Passados tantos anos da ineficiência pública, melhorar as condições de profundidade e calado do porto é essencial e urgente, embora essa ação não seja capaz de recuperar todos os negócios e receitas que foram perdidos ao longo de duas décadas de promessas furadas.

Desta vez, se as metas forem alcançadas, além de uma contribuição importante para o comércio exterior do Espírito Santo, a Codesa poderá usar esse ganho de profundidade para valorizar o porto, que estará em processo de desestatização. Ou seja, essa é uma excelente oportunidade para aumentar o “valuation” da companhia, ampliar a movimentação de cargas e fazer com que a sociedade recupere a confiança no poder público, há um bom tempo perdida depois de tanta espera por um porto competitivo.

Fonte: Beatriz Seixas - A Gazeta






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