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13/04/2018
Américas têm Cúpula esvaziada no Peru e EUA vêem a presença crescente da China na região



Américas têm Cúpula esvaziada no Peru e EUA vêem a presença crescente da China na região

A Cúpula das Américas, que será realizada nesta sexta-feira (13) e sábado (14), em Lima, tem grandes chances de não apresentar os resultados esperados. Na opinião de André Cruz, Gerente de Acordos Comerciais da Thomson Reuters, há uma série de motivos para se antecipar que o encontro que reunirá os chefes de Estado e de Governo na capital peruana deverá ficar bastante aquém das expectativas.

De acordo com o especialista em Acordos Comerciais, existem pelo menos quatro motivos para se apostar em resultados limitados para a reunião que começa nesta sexta-feira em Lima: “primeiro porque, atualmente os Estados Unidos têm demonstrado não possuir uma clara estratégia em relação à América Latina; segundo, porque o Brasil encontra-se absolutamente enfraquecido diante dos recentes acontecimentos políticos; terceiro, porque há um elevado número de presidentes em fim de mandato; quarto, porque o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, mesmo tendo sido excluído do evento, fez ameaças de que iria comparecer mesmo assim; e, por fim, a recente desistência do presidente Donald Trump em participar do evento transmite a clara mensagem de que a América Latina não é uma prioridade para os EUA”.

Na visão do  gerente da Thomson Reuters, “caso houvesse elevada expectativa de se colher bons frutos dessa runião, haveria grandes possibilidades de se estabelecer debates consistentes entre os países latino-americanos em relação à crescente influência chinesa na região.  O que deveria ser um foro de extrema relevância para estreitar relações entre os países participantes com o objetivo de buscar soluções para problemas comuns será, na prática, esvaziado de conteúdo dada a falta de comprometimento de seus participantes”.

André Cruz ressalta que “nos últimos anos, os Estados Unidos têm sistematicamente adotado estratégias contraproducentes no que diz respeito à sua dominação comercial na América Latina, região que tem sido amplamente explorada por aquele país desde a expulsão dos espanhóis em 1820. Houve especial desinteresse na região por parte do presidente Barack Obama, o que criou um verdadeiro leque de oportunidades para a China”.

 Antes de o presidente Trump decidir cancelar sua participação da Cúpula das Américas, um assessor do mandatário americano revelou em Washington que Trump aproveitaria os contatos na capital peruana para pressionar os países latino-americanos a privilegiarem suas relações com os Estados Unidos e não com a China e que os EUA são um parceiro comercial melhor do que a China, que é o principal parceiro comercial dos países latino-americanos, desde o Brasil, a maior economia da região, até o Uruguai.

Caso esse recado venha a ser transmitido aos mandatários latino-americanos pelo vice-presidente Mike Pense, que irá a Lima representando o presidente Trump, na opinião de André Cruz, esse seria um esforço inócuo: “se os Estados Unidos vierem a insistir nessa estratégia, não estariam agindo com inteligência, pois o melhor caminho para se obter o resultado esperado seria por meio de uma política comercial aberta, que possa garantir relações amigáveis e estáveis entre os Estados Unidos e os países da América Latina. Vale lembrar que, atualmente, a região está, ainda que lentamente, se desvinculando de políticas protecionistas e voltando ao livre mercado. O Brasil e a Argentina são excelentes exemplos dessa afirmação. As duas gigantes economias latino-americanas estão atualmente sendo lideradas por presidentes liberais e com viés pró-mercado”.

Para o Gerente de Acordos Comerciais da Thomson Reuters, “Donald Trump cometeria um grave equívoco ao colocar a América Latina contra a parede (exigindo que os países da região se alinhassem automaticamente com os Estados Unidos e desacelerassem suas relações com a China) e isso abriria ainda mais espaço para a dominação chinesa na região, o que poderia ser o início do fim para os americanos na luta contra a China pela expansão na América Latina. A partir do momento em que Trump deu início à sua  cruzada contra os acordos comerciais de livre comércio, ele sinalizou para a América Latina que podem começar a olhar para Pequim”.

Fonte: Comex do Brasil

 






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