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11/04/2018
China precisa do minério de alta pureza para conter poluição, diz Vale



China precisa do minério de alta pureza para conter poluição, diz Vale

A China vai continuar demandando minério de ferro de maior qualidade para conter a poluição no país, aposta Fabio Schvartsman, presidente da Vale, maior produtora da commodity no mundo. E o país precisará do produto da Vale, acrescenta. Ele disse, nesta terça-feira, em evento organizado pelo Itaú em São Paulo, que visitou o gigante asiático e entendeu a grande preocupação pelos níveis de poluição por lá.

Esse movimento das siderúrgicas chinesas de dar prefêrencia por uma matéria-prima mais pura, que emite menos carbono no ambiente, ajudou a sustentar nos últimos trimestres um prêmio pelo produto de maior concentração de ferro. A Vale tem um dos minérios de maior qualidade do planeta e se beneficiou desse fenômeno, lembra o executivo.

“O prêmio do minério com teor de 65% de ferro está na média de US$ 15 a US$ 17 por tonelada”, afirma Schvartsman. Hoje, esse diferencial gira na casa dos US$ 20.

Sobre o níquel, outra operação bastante relevante para a Vale, o executivo comentou que a popularização dos carros elétricos deve contribuir para a demanda. Na opinião dele, a bateria que será a predominante para esses veículos parece ser a de níquel e cobalto, que também leva manganês na composição.

“A China está mobilizando sua capacidade industrial para esse movimento de carros elétricos”, contou. “Se esse tipo de bateria for mesmo o ‘vencedor’, a demanda por níquel será muito maior do que é hoje. Isso pode ser um problema, é uma oportunidade e uma ameaça porque traria volatilidade aos preços.”

'Paciência'

Depois de conseguir reduzir drasticamente sua alavancagem e rumo a diminuir a dívida líquida para abaixo de US$ 10 bilhões, a Vale quer “recompensar” seus acionistas pela “paciência” durante os anos piores da reversão do superciclo das commodities e vai evitar segurar caixa para pagar melhores dividendos.

A fala é de Fabio Schvartsman, presidente da mineradora, que disse que após a prioridade número 1 da companhia, que era de desalavancar, agora a palavra de ordem é “não empilhar caixa”. Ele considera que a nova política de distribuição aos acionistas de 30% do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) menos investimentos correntes é bem mais agressiva que a da concorrência.

“Não vamos deixar a companhia empilhar caixa”, disse o executivo. “Nossas operações de ferro e níquel têm uma margem altíssima [a Vale é a maior produtora do mundo nos dois casos] e a geração de caixa será relevante. Se não tomarmos cuidado, haverá acúmulo e isso é um desincentivo à disciplina financeira, a uma gestão mais econômica e voltada para a criação de valor.”

Ao mesmo tempo, Schvartsman afirma que não quer deixar de investir. Qualquer novo projeto em que a Vale esteja envolvida, contudo, terá de ser colocado à prova do mercado, acrescentou. Para conseguir os recursos necessários, a empresa pretende se capitalizar e não parar de distribuir proventos.

Fonte: Portos e Navios

 






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