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11/10/2017
Alimentação e petróleo vão puxar a retomada da indústria capixaba



Alimentação e petróleo vão puxar a retomada da indústria capixaba

Impulsionados pelo aumento do consumo, pela valorização das commodities e pelos leilões de campos de petróleo, os setores de alimentos, petróleo e gás, mineração e metalurgia estão começando a reagir e devem puxar a retomada do crescimento industrial no Espírito Santo nos próximos meses. A projeção é da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), com base nos números positivos da produção industrial divulgados nesta terça-feira (10) pelo IBGE.

O Espírito Santo foi o Estado brasileiro que registrou maior aumento na produção industrial durante o mês de agosto. Em comparação com o mês anterior, as indústrias capixabas tiveram um crescimento de 7,5% em suas atividades. “Nosso Estado é o que a indústria tem maior participação no PIB, e os últimos meses apontam para uma tendência positiva de recuperação e retomada do crescimento. Por isso, esse é um momento de otimismo”, avalia o presidente da Findes, Léo de Castro.

Em agosto, o setor de alimentos foi o que mais expandiu a produção no Estado. A alta foi de 25,1%, sobretudo nas fábricas de chocolate, açúcar cristal, massas alimentícias e carnes de bovinos. Segundo o diretor-executivo do Ideies, Marcelo Saintive, esse aumento é fruto da retomada do consumo. “Está sobrando mais dinheiro das famílias para as compras mensais, e com um consumo maior, a indústria tem que elevar a produção.”

Além da melhora no marcado interno, economistas também destacam o cenário global mais positivo, o que impulsionou as exportações, que cresceram 23,8% no Estado apenas em 2017. “A virada econômica está chegando na indústria decorrente desse aumento da exportação, que é bom porque houve valorização do minério de ferro, da pelota, do aço e do petróleo. Isso além da estabilidade econômica do Estado, que é atraente, então é um conjunto de fatores”, comenta o presidente do Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico (Cdmec), Durval Vieira.

RECUPERAÇÃO

No ano, a indústria capixaba soma um crescimento de 3,7% da produção. Com os bons resultados, a Findes já projeta que 2017 feche com uma alta de 4,5%, uma recuperação em relação ao ano passado, em que, influenciada pela paralisação da Samarco e da crise hídrica, a produção industrial teve retração de 18,7%.

O presidente da Findes destaca ainda que essa projeção se deve a um conjunto de fatores favoráveis. “Tivemos os leilões de óleo, estamos investindo em linhas de transmissão de energia e teve a valorização das commodities. A gente ainda tem desafios logísticos nos modais ferroviário, portuário e rodoviário. Mas, por outro lado, até o final do ano, teremos o aeroporto. O cenário é bem otimista”, afirma Léo de Castro, que destaca que empresas de granito, farinha e massas já anunciam investimentos no Estado considerando essa reação.

“A tendência é de melhora, afinal, estamos saindo do fundo do poço, o que faz com que esse processo tenha um efeito positivo em todos os segmentos. Por isso, podemos afirmar que a indústria deve ser o grande motor de indução do crescimento da economia em 2017, até porque comércio e serviços ainda sofrem”, ressalta o vice-presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-ES), Eduardo Araújo.

ALIMENTOS

Crescimento

12,4% de ampliação da produção apenas neste ano

Motivo

O consumo das famílias brasileiras cresceu. Com a maior procura, as indústrias tendem a ampliar a produção.

PETRÓLEO E GÁS

Crescimento

4,8% de aumento da indústria extrativa em 2017

Motivo

Após um período de estagnação, o setor deve voltar a crescer em razão da volta dos leilões de campos de petróleo.

METALURGIA 

Crescimento

12,1% de alta em agosto e 1,8% em todo 2017

Motivo

Valorizada pela situação econômica da China, a metalurgia capixaba voltou a ser competitiva e retoma crescimento.

MINERAÇÃO

Crescimento

4,8% de aumento da indústria extrativa em 2017

Motivo

As commodities valorizaram. Houve aumento do preço do minério de ferro, da pelota de minério e do aço.

Estado precisa de um novo ciclo econômico

Como a economia capixaba é a que mais depende da indústria no país, especialistas apontam para a necessidade de um salto para um novo ciclo de desenvolvimento no Estado. Para eles, a área de ciência, tecnologia e inovação deve ser um caminho para alavancar o setor e impulsionar o Estado.

Para o presidente da Findes, Léo de Castro, pesquisas científicas e projetos inovadores devem pautar esse novo momento. “Nós já temos uma série de iniciativas nesse sentido, do governo estadual, da Prefeitura de Vitória, de pesquisadores da Ufes e do Ifes. O que a gente precisa é incentivar para que isso seja feito em consonância com a indústria existente, apontando para uma conexão com o atual momento tecnológico e um futuro mais eficiente. A nossa atuação tem sido para estimular isso”, destaca.

O vice-presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon), Eduardo Araújo, pondera que o Espírito Santo ainda tem mostrado um desempenho fraco em relação às outras localidades do país, mas justamente por ser um grande dependente da indústria, deveria buscar outras saídas ou mesmo algo que incremente essa produção. Para ele, uma boa aposta é o uso da inovação com recursos tecnológicos.

“Estamos vivenciando um atual contexto em que a economia é muito dependente desses produtos básicos que trazem um custo mais elevado em termos de meio ambiente. Atualmente, temos a necessidade de buscar por indústrias limpas. Então, essa nova bandeira é extremamente estratégica para o Estado, para nos colocar diante do que há de mais moderno. Em pleno 2017, não dá mais para pensar nas indústrias tradicionais em termos de desenvolvimento, pois o processo de produção mudou, e muito”, destaca Eduardo.

Léo de Castro lembrou que essa é uma bandeira histórica da Findes, e que as primeiras iniciativas já começam a dar resultado. “O parque tecnológico de Vitória está saindo, há pesquisas interessantes da Fapes que já estão indo nesse encontro, a tendência é ampliar isso”, reforça.

Espírito Santo não usa toda a capacidade

Apesar dos números da produção industrial apresentarem alta, as fábricas ainda não produzem com a totalidade de sua capacidade. Nos últimos cinco anos, a produção utilizada pela indústria geral caiu de 85,7% para 75,7% de sua capacidade.

Já na de transformação, a queda foi de 83,4%, em 2012, para 75,1%, em agosto desse ano.

No âmbito nacional, pelo contrário, houve melhora. Em agosto de 2017, a capacidade utilizada aumentou para 78,7%, em comparação com os 77,7% de 2016.

Para o presidente da Findes, Léo de Castro, apesar de preocupante, o número aponta que ainda há espaço para crescer.

“A gente vê que no índice nacional começa a ter uma melhora, o que deve começar a ocorrer no Estado nos próximos meses. E isso é fundamental para termos um crescimento robusto. A gente precisa ampliar a produção sob essa capacidade ociosa. Espaço a gente tem”, afirma.

ANÁLISE

A indústria capixaba esboça a sua reação mais forte depois de um longo período de perdas. Em certos momentos tivemos a conjunção de queda de preços e de demanda externa por commodities como o minério, e queda geral da economia nacional. Essas duas tendências foram agravadas pela crise hídrica e pela paralisação da Samarco.

O fato de agora termos um crescimento razoável na produção de alimentos é evidência de que a economia interna começa a reagir. No externo, as expectativas são melhores em função da boa performance da economia americana. Portanto, é razoável acreditar que a indústria capixaba fechará o ano bem melhor. Agora, a consistência dessas sinalizações no longo prazo ainda esbarram em questões a serem resolvidas, como as reformas. - Orlando Caliman, economista 

Fonte: Gazeta Online

 






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